quinta-feira, 19 de abril de 2012

A luta das mulheres pelo direito ao seu corpo


Na semana passada tivemos um importante ganho para a nossa sociedade. O STF decidiu que em caso de bebês anencéfalos as mulheres tem o direito a interromper a gravidez. Foi um julgamento com muitas opiniões fortes e longo, gerando uma grande movimentação no país, se quiser saber mais, CLICA AQUI.

Esse julgamento foi importante porque a decisão foi tomada pelo direito das mulheres. Isso mesmo, a decisão não é importante porque autoriza aborto em caso específico, já que esse é um passo da lutas das mulheres, e sim porque foi tomada tendo como base o princípio da igualdade e o direito da mulher. Essa luta precisa continuar e não basta nos contentarmos com a autorização de abortos em casos de anencefalia, precisamos continuar lutando pelo direito das mulheres ao seu corpo e a decidir sobre a sua saúde reprodutiva e sexual. Exigir a descriminalização do aborto e uma atenção adequada do governo para as mulheres que fazerem a sua opção.
O que isso significa?

Primeiro que a mulher é livre para fazer suas escolhas, assim como são os homens. Que ela decide se quer engravidar ou não, sozinha ou em conjunto com seu companheiro, mas que a decisão seja sua. Ela escolhe se quer levar a gravidez adiante e em que condições essa gravidez deve acontecer. Ela decide sobre o seu pré natal. Ela decide sobre o seu parto. Ela decide sobre a interrupção da sua gestação.

Vamos entender bem que ninguém está dizendo que a mulher deve fazer um aborto. Essa é uma decisão individual, de acordo com as crenças de cada mulher. Mas caso ela decida interromper ou continuar a gestação deve ter o suporte adequado do Estado. Isso significa que se decide ter o bebê, que ela tenha direito e acesso a um pré natal de qualidade, a um parto digno e humanizado sem intervenções desnecessárias... e que esses direitos continuem para a criação do bebê, como garantia de moradia, alimentação e educação. Agora, se ela decide interromper, tem o direito a ter um suporte psicológico e de profissionais treinados que a ajudem a decidir e a apoiem durante os momentos difíceis, tem direito a um atendimento digno e humanizado durante o procedimento, assistido por profissionais capacitados.

Isso tudo quer dizer que o Estado precisa garantir não só uma boa assistência à mulher, mas também uma orientação à prevenção da gravidez, a mulheres e homens, e um auxílio adequado e real para o planejamento familiar. E planejamento familiar com orientação à prevenção não pode significar só oferecer pílulas e camisinha nas Unidades Básicas de Saúde, tem que ser um programa que enfrente os preconceitos da sociedade quanto ao uso de anticoncepcionais e camisinhas, que enfrente os problemas sociais específicos de cada região e que acolha as famílias dentro de suas singularidades.

Significa também que a mulher não pode ser considerada criminosa ao decidir interromper a sua gravidez. Ela esta exercendo sua liberdade de escolha e não cometendo um crime ediodondo. Não merece ser trancafiada e isolada da comunidade. Não merece ser separada brutalmente de sua família, filhos, amigos, companheiros e companheiras por ter usado o seu direito de decidir sobre a sua vida.

O Estado deve ser laico e garantir o direito de todos os cidadãos, e por isso essa luta, pelo direito de decidir, pela liberdade sexual e reprodutiva. O Estado também não pode continuar ignorando que milhares de mulheres hoje morrem por realizar abortos em casa ou em clínicas clandestinas. Não pode continuar deixando desamparadas as adolescentes grávidas, que assustadas demais com o inesperado não conseguem apoio da família ou dos profissionais de saúde seja para qual decisão tomarem. O Estado não pode exigir das mulheres que levem adiante uma gravidez sabendo que não tem condições de dar uma vida digna àquele bebê que vai nascer.



Vamos lutar juntas pelo direito das mulheres de decidirem!!!

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